
O Tarot é um método de autoconhecimento e previsões, cartas de baralho divididas em 22 cartas de arcanos maiores e 56 cartas dos arcanos menores, são 78 cartas no total.
Os 22 Arcanos Maiores são 22 maravilhosos quadros de expressões das forças que operam no nível macro cósmico, permeando o Universo, o sistema solar, nosso planeta Terra, a sociedade, o ser humano (micro cosmo) e cada partícula da existência. São diferentes estados de consciência, desde a potencialidade do Louco (0) até a Plena Consciência ou síntese final na carta do Universo (XXI). O Louco é a espontaneidade, a criança, a ação impulsiva, a primeira carta que passa por diferentes estágios e enfrenta três séries de transformações da vida (cada uma com sete cartas = 21), revelando as provas de todos os tipos que todos nós passamos nessa vida. As características de seu estado são quase infinitas nas combinações possíveis de 21 (+ o Louco) ou 22 cartas. No arcano n° XXI, o Universo, o Louco termina sua tarefa, realiza os potenciais do Ser chegando a suas últimas sínteses, conseqüências e concretizações. É um passo aos níveis superiores, a transcendência representada no êxtase.
As 56 cartas dos Arcanos Menores são relacionadas com os fatos quotidianos, representam as forças que atuam no micro cosmo ou no indivíduo. São quatro naipes representados pelos quatro elementos: Terra (Ouros ou Moedas, chamados nesse Tarot de Discos), Água (representado pelas taças), Fogo (Bastões) e Ar, tendo quatro cartas de realeza cada um destes naipes: Rei, Rainha, Príncipe e Princesa. A Terra é ligada ao plano material; a Água, aos sentimentos e emoções; o Fogo a energia e vitalidade; o Ar ao campo mental, a psique.
Na distribuição das cartas sobre a mesa temos as seguintes casas:
Pode-se dizer que é uma arte de adivinhação, um conjunto de ilustrações das forças da Natureza, um instrumento de autoconhecimento, uma visão simbólica do Cosmos, um compêndio de conhecimento esotérico e metafísico (relacionado a todas as culturas, ocidental e oriental), um legado das civilizações antigas, um caminho de auto-aperfeiçoamento e consciência espiritual, ou uma representação simbólica da árvore da vida. Todas as respostas estão corretas e se complementam.
O Tarot também é conhecido como o Livro de Thot, e alguns pesquisadores acreditam que ele tenha surgido no Egito. Thot é um personagem mítico, a quem os antigos atribuíam à invenção dos hieróglifos, da linguagem, da astrologia, e assim ele foi colocado no panteon dos deuses com a tarefa de transportar as almas dos mortos no rio que separa o mundo dos vivos. Em todas as culturas existem personagens equivalentes a Thot: Hermes na Grécia; Mercúrio em Roma; Quetzalcoatl no México; Hanuman ou Ganesha na Índia.
Sabe-se que as grandes civilizações antigas também possuíam um intercâmbio marítimo de comércio, tal como na própria história do Yoga na civilização do povo do Rio Indu (ao norte da Índia - 6.500 A.C. a 10.000 A.C.), onde arqueólogos encontraram objetos de origem grega e egípcia. No próprio Egito foram encontradas representações do Senhor do Yoga, Shiva Pashupâti, em pinturas nitidamente visíveis. A imagem de Ganesha (o Deus com cabeça de elefante) está entre todos os povos, além da Índia cultuá-lo até hoje, foram encontradas pinturas na África, na China, e até mesmo na América do Sul!
Assim não se pode afirmar exatamente a origem do Tarot, mas sabe-se que certamente surgiu no oriente. A teoria mais precisa é que o Tarot veio do antigo Egito à Idade Média, entre os rituais pagãos nas províncias orientais do Império Romano e se alimentou inicialmente das doutrinas hindus, caldéias, persas e egípcias, com a filosofia grega e o conhecimento da cabala hebraica.
Existem diferentes quadros das cartas do Tarot, ou diferentes tipos de Tarot que surgiram e começaram a ser utilizados ao longo do tempo. Sabe-se que muitos livros e tradições esotéricas foram perseguidos pelos claustros, e dentro deles, esses livros foram estudados e preservados dentro da própria igreja romana!
A partir do século XV o Tarot foi divulgado na Europa no meio dos ciganos, que o utilizavam como um meio de adivinhação e "leitura da sorte" para o povo mais interessado nos fatos externos que no autoconhecimento. Embora as raízes das palavras "cigano" e "egípcio" sejam parecidas, tanto no francês "gitan" e "egiptien", como no inglês "gipcy" e "egyptien", os ciganos vieram da Índia, e a caminho da Europa eles passaram pelo Egito, mas não foram os inventores do Tarot.
Acredita-se que a palavra Tarot foi formada pelos vocábulos egípcios "Tar", que significa caminho, e "Ro" ou "Rog", que significa real. Muitos filósofos consideram as 22 cartas dos Arcanos Maiores relacionadas com as 22 letras do alfabeto hebraico. Em 1938 até 1943, a grande artista chamada Frieda Harris, junto às instruções do mago Aleister Crowley, empreenderam juntos a grande obra da elaboração do Tarot, de forma original, incluindo os últimos descobrimentos da ciência moderna à estrutura da antiga tradição cabalística. Este Tarot só veio a ser publicado em 1966, 22 anos após a morte de Crowley.
Nas palavras de Crowley: "A tarefa deste escriba tem sido a de preservar os caracteres essenciais do Tarot, que são independentes das mudanças periódicas das Eras, e atualizar aqueles caracteres dogmáticos e artísticos que ficaram ininteligíveis. A arte do progresso está em manter intacto o Eterno, mas também em adotar uma posição de vanguarda, talvez em alguns aspectos semi-revolucionária, com respeito aos acidentes sujeitos ao império do tempo."
Assim, a segunda carta da Papisa volta a se chamar Sacerdotisa e o Papa volta ao nome de Hierofante; a carta da Força passa a se chamar Tesão; a Temperança é chamada de Arte e o Juízo (que faz referência ao Juízo Final), virou Era ou Aeon.