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  • Mestre Eduardo Gerken

O conhecimento do Mantra OM no Shaiva Yoga

OM. Parama Shiva ou Para Shiva não tem início e nem fim. É o princípio não-dual e único. O OM é o próprio Shiva na forma de vibração e som.

Parama Shiva é o aspecto impessoal e de sua expansão e união com Shakti, produz todos os tattvas e elementos – e as individualidades.

Assim, ao pronunciar o OM com o conhecimento e a consciência da identidade da individualidade com o Todo, há o reconhecimento da própria Natureza do Atman ou Purusha (alma) e é possível, não somente contemplar, mas unir a mente e os aspectos aparentemente duais da vida quotidiana na não-dualidade, assim o propósito das práticas internas do Yoga é alcançada, conforme a tradição do Yoga nos ensina em suas várias vertentes, desde o Raja, Mantra, ao Jñana Yoga aqui explicados:


No capítulo I dos SUTRAS DE PATANJALI - Sobre a Concentração, também é explicado sobre a prática da repetição do Mantra, especialmente o OM: 21. Yoguis com intenso ardor alcançam a concentração e seus resultados, rapidamente. 22. De acordo com a aplicação do método, vagarosa, média ou rápida, mesmo entre os yoguis que têm intenso ardor, existem diferenças. 23. Através de devoção especial a Ishvara também (concentração torna-se eminente). 24. Isvara é um Purusha em particular, não afetado por aflição, ação, resultado das ações ou as impressões latentes que advém delas. 25. Nele, a semente da onisciência alcançou seu desenvolvimento maior, não havendo nada mais a transcender. 26. (Ele é) O professor dos primeiros professores, porque com Ele não existe limite de tempo (para sua onipotência). 27. A palavra sagrada que o designa é o Pranava ou a sílaba OM. 28. Yoguis a repetem e contemplam o seu significado. 29. Disso vem a realização do Ser individual e os obstáculos são resolvidos.

E: 44. Do estudo e repetição de Mantras, a comunhão com a divindade desejada é estabelecida. (Yoga Sutra Livro II - Sobre a Prática).


O controle do pensamento e o conhecimento é o potencial mais elevado. Os Mantras diários e a prática completa do Yoga, principalmente o Prânayâma (mais os bandhas e mudrás), conduzem ao samâdhi, sem dúvida.


Conserve um único mantra em seu dia-dia e em segredo, assim, o fluxo da energia contida terá o objetivo.


No livro TANTRALOKA ou “LUZ dos TANTRAS” o mestre Abhinavagupta explica o poder do Mantra em vários versos importantes:

6. O caminho do tempo (kâlopâya) lida com o tempo humano e cósmico (kâla) e suas divisões, bem como, colocar no ciclo respiratório e a partir daí, no caminho, pelo controle yogui da respiração e mente (também associada aos fonemas do sânscrito), é possível reabsorver o fluxo temporal e escapar do fluxo do vir a ser - o samsâra. (251slokas) 7. O aparecimento (ou surgimento) das rodas (chakrodaya): as rodas da energia, seu papel e seu uso na conjunção com mantras e respirações (prâna) na busca pela liberação. (71 slokas) 89-90. – “Aquele que, tendo libertado o seu pensamento de toda impureza, apenas reprimindo a sua memória, concentra no Supremamente Meditável, seja móvel ou imóvel, igualmente alcança o Shiva supremo, chamado Bhairava, por meio da recitação (japa) de um mantra. Libertado da existência e inexistência, este japa tem Shiva como sua essência”.


Em toda a tradição hindu: “Todo o Universo Cósmico (Brahmanda) é a vibração do OM”, e não há nada que exista fora de sua projeção, seja o conceito de Deus, deuses e deusas e toda a vida e todo seu Universo Cósmico.


O tempo, o passado, o presente, o futuro – todas as coisas são somente o OM. E qualquer que transcenda as três divisões de tempo é também o OM. Para os Shaiva-yogis, tudo é Parama Shiva ou o mesmo que o Brahman dos vedantinos. O Ser interno (Atman ou Purusha) é o próprio Shiva.


No texto VIJNANABHAIRAVA TANTRA, o OM é explicado em Brahmari e seus efeitos:


38 [15]. Entre no centro do som espontâneo que ressoa por si só como o som ininterrupto de uma cachoeira. Ou, apertando os dedos nos ouvidos, ouça o som dos sons e alcance Brahman na imensidão. 39 [16]. Ó Bhairavî, cante OM, o mantra da união amorosa de Shiva e Shakti, lentamente e conscientemente. Entre no som e quando ele desaparecer entre na liberdade de ser. 40 [17]. Foque no surgimento ou no desaparecimento de um som, então alcance a plenitude inefável do vazio. 41 [18]. Ao estar totalmente presente na canção, na música, entre na espacialidade com cada som que surge e se dissolve nela.

Shaiva Yoga – 30 anos ensinando Yoga. Uma equipe de professores especializados. Direção e coordenação: Professor Eduardo Gerken. *Rua Benjamin Constant 386, esquina com rua Dr. Faivre. Centro de Curitiba-PR. AULAS REGULARES E CURSO DE FORMAÇÃO - *MARQUE UMA AULA EXPERIMENTAL COM ANTECEDÊNCIA *através do WhatsApp: (41) 991752984.






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